terça-feira, 9 de junho de 2015

Ela sabe o caminho...

Ser mãe é ter estratégia. Talvez nós não nos damos conta das dezenas de estratégias que usamos para alcançar um objetivo ou resultado específico em relação aos nossos filhos.
Do plano para fazer o bebê dormir uma horinha a mais entre uma mamada e outra à preparação do melhor cafofo para ele se sentir aconchegado e dormir mais. Do método para inserir frutinha na alimentação ao desmame gradual do peito. Das estratagemas para sofrer menos de cólica, para aprender a engatinhar, ficar de pé e finalmente andar com segurança. Dos planos (sim, são vários) para dormir a noite inteira depois de 1 ano ao método para mudar da cama para o berço, para tirar a fralda, tirar a chupeta...
Esses são alguns exemplos que fazem qualquer mãe virar uma especialista em estratégia.
Pois bem, a minha última (digamos a última desses dias) é tirar a soneca da tarde de uma moçoila de 3 anos. Ao que parece, nesta idade, a criança não precisa mais dormir muito durante a tarde - precisa de um total de 10 a 12 horas de sono, preferencialmente à noite - e na maioria dos casos, tal soneca prejudica o sono noturno. De fato, acontece com Helena e ela está acordando muito cedo. A ver.
A minha estratégia no. 1 consiste em acordar a pessoa depois de 20 minutos de soneca (pensem no mau humor!). A estratégia no. 2 é aquela que não tem soneca e sim uma dormidinha no carro na volta do clube, do parque ou da escola (vcs conhecem essa, certamente!).
Pois bem, em minha opinião a no. 2 é a melhor, pois são aqueles 15 minutinhos que ela precisa para ficar feliz, com energia e comer bem no almoço - e que não atrapalham o sono da noite.
Vocês devem estar se perguntando para que tanto blá-blá-blá....
Vou lhes contar uma historinha rápida, prometo.
Eis que estávamos voltando da escola em um dia que ela estava exausta. A escola é perto de casa, então decidi, pela estratégia no. 2, virar em um rua para dar uma volta a mais e ver se ela dormia um pouco no carro. O ambiente calmo e silencioso foi interrompido por uma pergunta direta e reta:
[Ela] Mãe, por que você está fazendo esse caminho? Está errado!!
[Eu] Porque a mamãe precisa passar em um lugar antes de ir para casa, pode descansar um pouquinho se vc quiser. (tentando enganá-la)
[Ela] Mas, não é por aqui a nossa casa. (disparou a falar sem parar)
[Eu] Ok, ok, já já vamos pegar o caminho da nossa casa...
[Ela] Que maluco essa volta que você fez para chegar em casa... (e deu risada)

Resultado: estratégia no. 2 falhou e ela tirou a soneca depois do almoço (25 minutos). Acabou acordando mais cedo na manhã seguinte. Ou seja, estratégia no. 1 falhou também.
Conclusão: ela já sabe o caminho de casa
Próximos passos: pensar na estratégia no. 3

terça-feira, 14 de abril de 2015

De repente

De repente você passa a parecer diferente para todos; nada de corte ou tinta no cabelo, tampouco mais gorda ou magra.
De repente você passa a sentir medo de coisas das quais não sentia. Ao mesmo tempo é tomada por coragem e braveza inexistentes.
De repente você chora com mais frequência da mesma forma que não permite que a tristeza te abale.
De repente você se liga que não tem tempo para nada; que no seu relógio, o minuto dura 15 segundos. No mesmo tempo, você acha o segundo a mais para um carinho.
De repente você se dá conta de que não tem mais o controle remoto da TV e muito menos o remoto controle da vida.
De repente você tem certeza de que nada faz sentido sem aquela "pessoinha", de que tudo que escreveu acima não tem importância.
De repente você lembra que 3 anos não foram de repente, mas foram, certamente, os 3 anos de mais aprendizado, troca e amor de nossas vidas. 
De repente, achei uns minutos para escrever este breve texto e registrar o seu aniversário de 3 anos. 
Aqui vai meu coração.
Mamãe. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Mãe de primeira viagem, literalmente




Viagem de avião. Em todas as ocasiões que viajei, a trabalho ou a lazer, sentia certa insegurança – creio que comum – e imaginava o que aconteceria se eu morresse num acidente aéreo. Logo pensava: “seria muito triste deixar minha família, amigos e tal, mas eles superariam o trauma”. Hoje a ocasião me é diferente.
Precisei viajar a trabalho, dormiria uma noite fora. O que já era um sofrimento antecipado – e incontrolável – de passar, pela primeira vez, uma noite sem minha filha de 2 anos e 9 meses, virou uma tortura dentro do avião.
Na escala de 1 a 10 da neurose viagem de avião me encaixo na 6 – há variações (pra mais) dependendo se houve acidente aéreo recente no país. Acho que não sou tão exagerada. Alguns de vocês leitores - que chegaram até aqui – devem ser mais neuróticos do que eu, certo?
O fato é que minha neurose média foi elevada à máxima. Eu já não sou uma pessoa sozinha que não tem dependentes. Eu sou mãe. Não bastasse o choro de uma criança no banco de trás, o voo atrasou e permitiu que minha mente viajasse pelo pior. Uma lágrima caiu pelos meus olhos: “o que será da minha filha se acontecer algo comigo?” Tenho certeza de que muitas mães que me leem já passaram por algo parecido, é uma sensação bizarra.
Talvez isso tenha colaborado para que a viagem fosse boa; cheguei à conclusão de que a distância entre mãe e filha, quando necessária, é saudável. Tudo correu bem. A ocasião foi agradável e produtiva. A volta foi tranquila. O reencontro foi um estouro de felicidade.

Aqui vai meu coração,

Mãe de primeira viagem (e na primeira viagem)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Entrevista com Helena



São Paulo, 31 de dezembro de 2014, Helena estava terminando de jantar em sua residência. Um dia de muito calor, ela comeu tudo e pediu banana de sobremesa. Alegre, respondeu à entrevista que fizemos com objetividade, e comentou: “fiquei feliz quando ouvi o rojão!” 
Segue entrevista completa :-)

-       Qual é seu nome?
R: Helena.
-       Quantos anos você tem?
R: Dois (fazendo o número com os dedinhos).
-       Qual a sua cor favorita?
R: Amarelo.
-       Quem é a sua melhor amiga?
R: A Julia, minha prima.
-       Qual o nome da sua professora?
R: Andressa e a Roberta.
-       Do que você mais gosta de brincar?
R: De bolinha de sabão.
-       O que você mais gosta de comer?
R: Banana, que estou comendo.
-       O que você mais gosta de assistir na televisão?
R: Peppa
-       Qual história que você mais gosta de ler?
R: Rapunzel.
-       O que você mais gosta de comer de lanche?
R: Biscoito de polvilho.
-       Qual o brinquedo que você mais gosta?
R: Casa do Mickey.

Obs.: A ideia é repetir esta mesma entrevista daqui a um ano. Foi a Rê, minha cunhada, que me sugeriu fazer isso (ela fez com a minha sobrinha). Eu achei muito bacana a ideia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Reescrevendo Toy Story - uma sala e a árvore de Natal da Helena.

Arrumar os amigos em fila não é mais prioridade. Eles já aprenderam que para ir no escorregador precisam esperar a vez. A torre de Lego fica cada vez mais alta; tanto a família Pig quanto os animaiszinhos da floresta já a escalaram. Claro que o castelo não é só da princesa, até porque aqui há mais de uma princesa miniatura. Mas os 7 anões dominaram o ambiente a ponto das comidinhas e do mini fogão ficarem de lado, esquecidos. Quem foi para o ostracismo, também, foi a turma do Mickey - vez em quando, o Pateta aparece, pois é o preferido. Tempos dos anões mandarem em tudo, inclusive na música do piano da casa da Branca de Neve e dos Sete Anões. Minnie virou a rainha má do conto; o Pateta, o Rei. Pode? Ao som de Saltimbancos, ela dança. E toca. Ao fundo, é possível escutar uma corneta nada sutil, batuques de tambor, o pandeiro barulhento que ela ganhou de uma tia e notas suaves de um pianinho. "Olha mamãe, essa é a minha orquestra!" Eis que chegou dezembro, a sala ganhou a tão esperada árvore de Natal. Novos amigos chegaram: todo tipo de Papai Noel, renas, ursos, bonecos de neve etc. Tem também apetrechos como bolas, meias, trenós, estrelas, tudo iluminado. Este ano porém, a árvore ganhou uma novidade: duas princesas (Cinderela e Branca de Neve), com seus vestidos longos de caimento perfeito. Aqui nessa sala Toy Story seria muito divertido. Certeza que as princesas brigariam entre si, com ciúmes da roupa da outra e até tentariam roubar o príncipe de Lego - único exemplar numa população enorme de amigos. O Zangado arrumaria briga com todos os papais-noéis, à exceção do que fica em cima do piano que é roqueiro (bruto). Não poderia esquecer da Peppa que, com toda delicadeza, pegaria a carruagem da Cinderela para dar um rolê. No final da história, todos sentariam numa mesa para comer e brindar à vida, agradeceriam a Deus por tudo e seriam felizes para sempre, cantando a nossa música de todos os dias antes de dormir: "amo você, você me ama, somos uma família feliz. Com um forte abraço, um beijo te direi, meu carinho é pra você..." ❤️
Ah o mundo da imaginação...
Convido a todos para uma viagem a esse mundo.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre ser incoerente; sobre ser a mamãe

São Paulo, 20 de agosto de 2014.

Helena,

Você está crescendo, mas não só de tamanho, está se desenvolvendo muito. “Naturalmente, como todas as crianças”, diria qualquer um. Sim, é natural, eu sei. Não fosse pelas suas histórias, pelo seu jeito engraçado, carinhoso e sedutor não haveria graça nesta carta.
Há dias em que afirmo para você que você já está grande, mocinha, pois já come sozinha, se comporta bem, toma todo leite sozinha blábláblá. Porém, há dias em que eu sou obrigada a te dizer que você não pode fazer isso ou aquilo sozinha, porque você é pequena, ainda bebê. Você me olha de um jeito desconfiada, testa o limite, vê que não vai dar certo e respeita. Tenho certeza que você guarda aquela informação, de certa forma, contraditória e pensa: uma hora eu sou mocinha ou menina grande, outra hora eu sou criança pequena, bebê...
Imagino que toda mãe deve ser assim, meio, digamos, incoerente.
Ocorre que esse negócio de você crescer, passando pelos famosos terrible two,  aliado à necessidade de te ensinar valores, de você aprender os limites e tudo mais, vai fazendo a mamãe virar uma mestre em incoerência.
Hoje, antes de você dormir, como sempre, li duas histórias (às vezes são três); você as ouviu atentamente, participou e até me corrigiu quando pulei uma parte para acelerar. Eu te elogiei e disse “muito bem, você está crescendo!” Você retrucou rapidamente: “mas eu não sou grandona como a mamãe ainda!”. De fato não é, um dia você vai ficar como a mamãe (juro que pensei: uhu, consegui!). Porém, depois, em nossa conversa antes de ir para cama, você me pediu algo curioso: “mamãe, amanhã vamos assistir futebol, vamos torcer para o Brasil!” Eu falei: “meu amor, a Copa já acabou, agora, só daqui a quatro anos, quando você estiver maior, não tão grande como a mamãe, mas já vai estar uma menina grande”. Você ficou pensando, pensando...
Sugeri que cantássemos a nossa música para ir para a cama e dizer boa noite. Você mandou: “não vou cantar a nossa música, não vou falar boa noite, a mamãe canta e fala boa noite para Helena... eu sou pequenininha....” J
Sim, você vai ser minha pequenininha grandona para sempre!

Aí vai meu coração,


Mamãe.