segunda-feira, 20 de setembro de 2010
La lucidez cotidiana.
"as mulheres esperam que esperam. os anos, os vestidos, os amores. falam daquele que não volta, daquilo que volta, das coisas que têm que voltar. momentos mínimos da realidade. às vezes, escutam os internos. nem tão sempre, o externo. significam algo? procuram documentos estrangeiros a si próprias. tentam ligações, desabafam inquietudes, estranham saídas. terminam por combinar com tudo. e com o mesmo. a dita e cuja neurose cotidiana. não desesperam psicologias desmembradas. para quê? para que precisem ser mais do que são. quando falam sobre compreensão, não compreendem. quando escutam o amor, não o percebem. significam alguém? esperam que as esperem. penso que é inútil. melhor fazerem de conta que são de conta. que se apaixonam por um som ou por um filósofo alemão inexistente. que não necessitam da lucidez do destino: aquele cômodo, muito incômodo, que apóia os anos, os vestidos, os amores. elas precisam des-significar. para quê? para não serem mais do que são em suas intermitências diárias. arrumar mala, abandonar objetos e subjetos, levar nada, esquecer tudo."
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