sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Soneto de Natal

Um homem, — era aquela noite amiga,
noite cristã, berço no Nazareno —
ao relembrar os dias de pequeno,
e a viva dança, e a lépida cantiga, quis transportar ao verso doce e ameno
as sensações da sua idade antiga,
naquela mesma velha noite amiga,
noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca
pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
a pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
só lhe saiu este pequeno verso:

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

(Machado de Assis)