domingo, 9 de setembro de 2012

Primeira Carta à Helena - 5 meses


Helena,

Faz cinco meses que quero lhe escrever. Na verdade, acho que faz mais tempo; mas, enfim, creio que não importa.

A minha voz, com certeza, você já conhece, desde a sua jornada na barriga. Sim, cantei para você e deixei cantores profissionais mostrarem o motivo pelo qual existem cantores de verdade e a maravilha da boa música. Quando veio à luz, afinal, entre berros e sussurros, estava ali a mesma voz dizendo a você os clichês da maternidade. Algo de diferente, porém, era aquela voz, para sempre única. Os cinco meses passaram e a voz que, muitas vezes, versava apenas um monólogo, passou a não soar sozinha; ela tinha retorno: sorrisos, gritinhos, bocejos, a língua do aaaauuuuaaaauuaaaaa. Você, hoje, não só me escuta, você responde à minha voz, a sua maneira; maneira carinhosa que me faz sentir algo que não sei falar.

O meu toque, você identifica. Esse sim, desde que nasceu. Não é um simples toque, é uma faísca de carinho que por ser tão delicado e, ao mesmo tempo, tão intenso, você sabe que é meu. E, hoje, aos cinco meses, eu sinto o seu toque, sua mãozinha que não para um segundo enquanto está no trocador - isso sem falar do seu pezinho: uma espécie de pão francês em forma de pé que tem uma força enorme, desde o primeiro mês. A água é o seu mais novo brinquedo e o meu nariz, o objeto para se acalmar na hora de dormir.

E o cheiro? Esse é de tal especificidade que, tanto eu como você, podemos passar por qualquer apuro, mas quando sentimos o cheiro, sabemos que há paz no mundo. Claro que não me refiro àquele do seu cocô. Esse, quando você faz (e faz regularmente, sem falta), sabemos que você está mamando bem. Aliás, essa é uma característica sua: mama pra caramba, um litro de leite por dia, mais fruta, mais suco... Não à toa você está com 7,5kg e medindo 64cm. “Benza Deus” é a frase que mais ouço sobre você. Tá bom, ouço frequentemente que você é linda, princesa e bebê Johnson!

Enfim, o que você ainda não conhece são as minhas palavras; essas que eu tento escrever aqui, neste dia, depois de cinco meses. Confesso que nem eu as conheço. Não só porque nos dias atuais nós digitamos e não escrevemos, mas, principalmente, porque não há palavras (digitando ou escrevendo à mão) para materializar o que sinto por você. Tudo mais, você já sabe, porque me conhece e sabe o quanto eu amo você.

Obrigada por existir na minha vida.

Deixo para você o meu coração,

Mamãe.