sábado, 23 de novembro de 2013

Helena, uma nota para você :-)

Naquela fase em que se escuta dezenas de palavras e frases completas, tudo sem o erre (r): cao, dumiu, caamba, oupa (roupa), aozo (arroz), pincesa, pínce (príncipe), oça (roça), quadado (quadrado)...
Naquela fase em que a energia está a mil; ela não anda, corre. Não para nem um segundo, nem quando esteve com febre por causa de uma virose há uma semana (a primeira em 1 ano e 7 meses).
Naquela fase em que se encaixa tudo, que deixa o Lego espalhado pela casa e a gente, às vezes, pisa.
Naquela fase em que aprendeu a dizer “não”, mas pela ascendência paraibana diz: qué não!
Naquela fase em que o grude é com a mamãe e não deixa o papai ficar no quarto quando vai dormir.
Naquela fase em que aprende tudo muito rápido e repete tudo que se fala em casa; já conta até dez, reconhece os números e as formas: triângulo, quadrado, círculo e o oval!
Naquela fase em que o lápis de cera fica inteiro menos de 10 minutos e todos pedacinhos ficam espalhados na sala. Aliás, lápis é uma das palavras mais gostosas que se ouve aqui: “tápis!”. Além dessa, claro, livro também é uma delícia; é com sotaque engraçado: “uivo”.
Naquela fase em que o amor é incondicional e eterno; que é a luz de nossas vidas.
Naquela que é chamada de “melhor fase”.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Para você, as suas palavras


Helena,

Tudo certo? Claro que está, né? Você está dormindo a essa hora. O objetivo principal dessa carta é registrar as palavras que você já sabe falar e usa diariamente para se expressar numa língua, digamos, A MAIS LINDA DO MUNDO! (Em breve o papai vai preparar um vídeo com os melhores momentos).
Mas antes de fazer a lista, queria te contar uma coisa. Todas as mães (inclusive eu), pais, avós e futuras mães costumam fazer duas perguntas (mais ou menos na idade que você tem) que parecem uma espécie de prova de que o bebê está bem e é inteligente:
1. “Com quantos meses ela andou?” (essa nem fazem mais, pois você anda há uns dois meses já)
2. “Ela já fala?” R: Sim, algumas coisas. Aí vem: “Nossa, o fulano é mais velho que ela e não fala nada!” Geralmente isso acontece com os meninos, pois dizem que eles falam mais tarde que elas. Pode ser. Mas no seu caso – para alívio dos mudinhos e troll da mamãe –, há um fator maior, o qual invariavelmente é descrito pela seguinte frase: “Mas, também, com a mãe que tem! o.O Ou seja... Mamãe fala bastante (e o papai também!).
Dito isso, vamos lá; segue a lista, lembrando que você tem hoje 1 ano e 4 meses de idade.

  1. Mamãe (e todas as suas variedades, do grito ao murmuro demorado)
  2. Papai (tá, foi a primeira palavra depois de avião)
  3. Vovó
  4. Vovô
  5. Eic (Eric, seu primo)
  6. Lêni (a sua babá)
  7. Val (a Valdeci, que trabalha aqui em casa)
  8. Tau (tchau para tudo que se vai, incluindo cocô e quando você guarda a chupeta para sair do quarto)
  9. Cocô (você quase sempre avisa quando faz cocô)
  10. Não
  11. Ixi (tudo que não dá certo, manda um “ixiii”)
  12. Tem (qdo pergunto se tem feijão na sopa do neném, você diz: tem!)
  13. Dandá (andar)
  14. Auau (todos os cachorros)
  15. Gigi (girafa)
  16. Bubú (chupeta)
  17. Avão (avião)
  18. Boia (bola)
  19. Mena (meia)
  20. Gol
  21. Ca-u (carro)
  22. Popó (a Galinha Pintadinha)
  23. Piupiu (passarinhos em geral, inclusive pomba)
  24. Cocó (da turma do Cocoricó, diferente de popó, galinha pintadinha)
  25. Pepa (desenho da porquinha)
  26. Bai (Barney)
  27. Neném (usada para qualquer criança [e boneca] que tenha idade entre 0 e 10 anos, inclusive você mesma, talvez já querendo dizer seu próprio nome)
  28. Aga (Água)
  29. Pé (para o pé mesmo e para todos os sapatos)
  30. Mão
  31. Boca
  32. Ôio (Olho)
  33. Minco ou Minque (meus brincos; quando uso, você só tem olhos para eles)
  34. Peiti (pente; mamãe penteia o seu cabelo até para dormir)
  35. Manga (fala e pede insistentemente, vide vídeo da “manga”)
  36. Nanana (Banana, semelhante à manga)
  37. Peta (pêra)
  38. Pexii (peixe)
  39. Papá (comida, essa é fácil)
  40. Mamá (mamadeira, idem)
  41. Baby (o baby Einstein)
  42. pat (iPad)
  43. Capé (café; é só ver a gente pegando a xícara que já fala ou ligando a máquina de nespresso)
  44. Póta (pão, essa merece atenção, porque é a mais estranha e engraçada de todas; e é a coisa mais linda do mundo você dizendo: “qué póta!”)
  45. Ovo (que você pede desesperadamente na hora do “papá”: “qué ovo!”)

E aí vêm os verbos que acompanham a maioria das palavras acima:
  1. Achi (achei, brincando de esconder)
  2. Qué – (quero. Exemplo: qué mangaaa!)
  3. Ó – (olha. Exemplo: óóó o cauuuu!)
  4. Pega (pegar. Para pegar qualquer coisa)
  5. Caiu
  6. Abi (abrir; sempre pedindo para abrir a porta ou o zíper do casaco do papai ou a tampa da mamadeira)
  7. Cabô! (Acabou!)


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Hoje: eu, Helena e um passeio delicioso.



Filha, tudo bem? 

Depois de um curto período sem escrever, retomo com uma novidade; creio que você irá gostar: vou ter mais tempo com você, vou ficar mais em casa!  Acredito muito que a minha felicidade, satisfação e bem estar influenciam diretamente no seu comportamento. Isto é, se estou bem e feliz, você também fica bem. Percebo isso a cada dia. Mudamos de apartamento, você obviamente notou e, pelo que vejo durante a sua exploração do novo ambiente e pela sua rápida adaptação, sinto que está super feliz, igual a mim. É um apê um pouco maior, mas parece muito maior por ser bem divido. E está bonito pra caramba! Não vou me alongar nesse tema, pois gostaria de falar de hoje, 9 de agosto de 2013, dia em que você completou 16 meses de vida.

Incrivelmente, depois de um dia muito difícil, olhei para trás e pensei: sinto-me feliz. E o motivo disso, sem exagero, é você existir na minha vida. Fizemos algo inusitado hoje; algo que penso em fazer outros dias. Depois da sua soneca da tarde e do seu lanche (mamadeira de 300ml!), saímos para dar uma caminhada no bairro (entendam caminhada uma volta em meio quarteirão). Levei comigo um saquinho e você, andando na outra mão. Você parava para pegar tudo que via no chão da rua. Deixei você pegar folhas e pedrinhas e colocar no saquinho, que acabei chamando de saco de tesouros.  Ficamos olhando passarinhos (você carinhosamente os chamam de piu-piu). Você fazia carinho nas árvores que via e falava com os cachorros que passavam nas coleiras de seus donos. Essa sequencia só era interrompida - várias vezes - quando passava um avião. Helena, tenho de te contar que você mora em Moema, um bairro perto do aeroporto de Congonhas; muitos aviões passam no nosso céu. Isso seria trivial se você não fosse absolutamente enlouquecida pelos aviões; enxerga-os à distância, avisa que estão passando com o seu dedinho lindo apontado para o céu e com gritinhos “ó ó ó”. E, quando ele passa, pede delicadamente: “oto, oto, oto”. Se eu pudesse, faria um outro passar imediatamente para ver o seu sorriso. Votamos para casa, depois de 35 minutos, tranquilas e você cansada.

E assim foi o nosso passeio, uma aventura e tanto! Eu aprendo e me divirto com você cada vez mais.

Aqui vai meu coração,

Mamãe.

sábado, 1 de junho de 2013

Uma oração; uma das mais belas que conheço

Uma oração: por Jorge Luis Borges

Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados. Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Helena, os 9 meses de muito amor.


Helena,

Primeiro de tudo, queria que soubesse por onde passei antes de chegar em casa e sentar na frente do computador. Fui na Dengosa, uma padaria perto de casa que conheço desde moleca, há uns 25 anos, e que tem o melhor pão francês da cidade, sério. Você vai experimentar um dia. Isso tudo pra dizer que um simples pãozinho fresco com requeijão e presunto (magro) me inspira neste momento para escrever esta carta cuja razão é o dia em que você completou 9 meses.

É praticamente impossível descrever cada novidade apresentada e todas as conquistas alcançadas por você nesses meses - foram muitas. Creio que você ficaria cansada de ler e, talvez, nem leria, porque já aprendi que quando você quer algo, quer para já, sem delongas.  Aliás, você já sabe o que quer e, quando quer.... segura – é preciso te segurar mesmo –, pois seus pulinhos pedindo agilidade da minha parte são deveras perigosos. Já que falei de parte da sua personalidade, não poderia deixar de citar o seu humor: só sorrisos. Você acorda rindo, passa o dia rindo e dorme rindo. É maravilhoso.  Não tem tempo feio, calor, resfriado, remédio... tudo é alegria, distribui sorrisos na rua a ponto de parar o trânsito. Claro, além da simpatia, as suas coxas são a atração principal: três dobrinhas numa e duas na outra. Dá para aguentar? São 11kg num corpinho de mais de 70 cm. Você é um bebezão! Sim, te chamam de bebê Johnson!

Mau humor, choro? FOME. Igualzinho ao seu pai. Não posso atrasar cinco minutos a sua singela mamadeira de 240 ml! Você dispara a sirene, como costumo chamar. Houve, porém, um choro diferente em dezembro. Eu e seu pai tiramos uns dias de férias e fomos para Floripa com você. Tudo ótimo, até eu colocar os seus pezinhos na água fria do sul. Foi um berreiro. Tirando isso, você adorou a areia e não estranhou nada.

O ano chegou ao fim e você aprendeu a dar “tchau”. É, para mim, a mãozinha mais linda do mundo acenando. Claro que você ainda não identificou o que é o tchau. Então, você faz como os italianos, dá tchau para dizer oi também. Já ia quase me esquecendo que você já sabe sentar sozinha. Dia desses, fui ao seu quarto durante a noite no escuro para te dar a chupeta e você estava sentada no fim do berço; levei um susto.

Não há coisa mais gostosa nesse mundo do que chegar em casa do trabalho a tempo de brincar (um pouco) com você, te ver tomar banho, dar a sua singela mamadeira e te colocar para dormir ao som dos Beatles (baby) – não sem antes ler a poesia da Estrela Brilhante que seu pai escreveu quando tinha 6 anos!

Talvez, eu tenha esquecido um monte de coisa. Perdoe-me. Eu não pretendo ser a mãe perfeita, nunca vou ser; estou diante da filha perfeita, aquela que sonhei tanto tempo e que veio iluminar a minha vida. Se você (ou quem mais) chegou até aqui nesta carta, poderá sentir e ver uma espécie de resumo seu, no vídeo anexo. Obrigada por existir nas nossas vidas.

Aqui deixo o meu coração. Mamãe.