quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Reescrevendo Toy Story - uma sala e a árvore de Natal da Helena.

Arrumar os amigos em fila não é mais prioridade. Eles já aprenderam que para ir no escorregador precisam esperar a vez. A torre de Lego fica cada vez mais alta; tanto a família Pig quanto os animaiszinhos da floresta já a escalaram. Claro que o castelo não é só da princesa, até porque aqui há mais de uma princesa miniatura. Mas os 7 anões dominaram o ambiente a ponto das comidinhas e do mini fogão ficarem de lado, esquecidos. Quem foi para o ostracismo, também, foi a turma do Mickey - vez em quando, o Pateta aparece, pois é o preferido. Tempos dos anões mandarem em tudo, inclusive na música do piano da casa da Branca de Neve e dos Sete Anões. Minnie virou a rainha má do conto; o Pateta, o Rei. Pode? Ao som de Saltimbancos, ela dança. E toca. Ao fundo, é possível escutar uma corneta nada sutil, batuques de tambor, o pandeiro barulhento que ela ganhou de uma tia e notas suaves de um pianinho. "Olha mamãe, essa é a minha orquestra!" Eis que chegou dezembro, a sala ganhou a tão esperada árvore de Natal. Novos amigos chegaram: todo tipo de Papai Noel, renas, ursos, bonecos de neve etc. Tem também apetrechos como bolas, meias, trenós, estrelas, tudo iluminado. Este ano porém, a árvore ganhou uma novidade: duas princesas (Cinderela e Branca de Neve), com seus vestidos longos de caimento perfeito. Aqui nessa sala Toy Story seria muito divertido. Certeza que as princesas brigariam entre si, com ciúmes da roupa da outra e até tentariam roubar o príncipe de Lego - único exemplar numa população enorme de amigos. O Zangado arrumaria briga com todos os papais-noéis, à exceção do que fica em cima do piano que é roqueiro (bruto). Não poderia esquecer da Peppa que, com toda delicadeza, pegaria a carruagem da Cinderela para dar um rolê. No final da história, todos sentariam numa mesa para comer e brindar à vida, agradeceriam a Deus por tudo e seriam felizes para sempre, cantando a nossa música de todos os dias antes de dormir: "amo você, você me ama, somos uma família feliz. Com um forte abraço, um beijo te direi, meu carinho é pra você..." ❤️
Ah o mundo da imaginação...
Convido a todos para uma viagem a esse mundo.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre ser incoerente; sobre ser a mamãe

São Paulo, 20 de agosto de 2014.

Helena,

Você está crescendo, mas não só de tamanho, está se desenvolvendo muito. “Naturalmente, como todas as crianças”, diria qualquer um. Sim, é natural, eu sei. Não fosse pelas suas histórias, pelo seu jeito engraçado, carinhoso e sedutor não haveria graça nesta carta.
Há dias em que afirmo para você que você já está grande, mocinha, pois já come sozinha, se comporta bem, toma todo leite sozinha blábláblá. Porém, há dias em que eu sou obrigada a te dizer que você não pode fazer isso ou aquilo sozinha, porque você é pequena, ainda bebê. Você me olha de um jeito desconfiada, testa o limite, vê que não vai dar certo e respeita. Tenho certeza que você guarda aquela informação, de certa forma, contraditória e pensa: uma hora eu sou mocinha ou menina grande, outra hora eu sou criança pequena, bebê...
Imagino que toda mãe deve ser assim, meio, digamos, incoerente.
Ocorre que esse negócio de você crescer, passando pelos famosos terrible two,  aliado à necessidade de te ensinar valores, de você aprender os limites e tudo mais, vai fazendo a mamãe virar uma mestre em incoerência.
Hoje, antes de você dormir, como sempre, li duas histórias (às vezes são três); você as ouviu atentamente, participou e até me corrigiu quando pulei uma parte para acelerar. Eu te elogiei e disse “muito bem, você está crescendo!” Você retrucou rapidamente: “mas eu não sou grandona como a mamãe ainda!”. De fato não é, um dia você vai ficar como a mamãe (juro que pensei: uhu, consegui!). Porém, depois, em nossa conversa antes de ir para cama, você me pediu algo curioso: “mamãe, amanhã vamos assistir futebol, vamos torcer para o Brasil!” Eu falei: “meu amor, a Copa já acabou, agora, só daqui a quatro anos, quando você estiver maior, não tão grande como a mamãe, mas já vai estar uma menina grande”. Você ficou pensando, pensando...
Sugeri que cantássemos a nossa música para ir para a cama e dizer boa noite. Você mandou: “não vou cantar a nossa música, não vou falar boa noite, a mamãe canta e fala boa noite para Helena... eu sou pequenininha....” J
Sim, você vai ser minha pequenininha grandona para sempre!

Aí vai meu coração,


Mamãe.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Uma carta e o verbo "ensinar"

Helena,
Você me ensinou, ao longo desse 1 ano e 9 meses, que a vida não tem graça se a gente não cria relações em que haja dependência mútua. A verdade é que você depende de mim e eu dependo de você. 
Você me ensinou que ser livre não é não ter nada que nos prenda à vida e sim, ter a liberdade de fazer escolhas com a sensação de pertencimento.
Você me ensinou a ter paciência...
Você me ensinou tudo isso sem querer. 
Não é incrível? 
O verbo “ensinar” significa passar (a alguém) conhecimentos práticos ou teóricos, instruções, informações sobre (matéria, assunto, arte, técnica, dúvida etc.); doutrinar, lecionar. 
Isso me fez lembrar que semana que vem você terá o seu primeiro dia na escola – Maternal I. Você vai aprender muitas coisas; a professora Andreza (eu já a conheci) irá te ensinar muitas coisas. É, sem dúvida, uma nova fase nas nossas vidas.
Eu e o papai estamos muito felizes por isso e, mais ainda, estamos confiantes de que você irá gostar muito dessa nova fase. Mais do que aprender, você vai experimentar novas descobertas e novas relações. Creio que você irá me ensinar muito ainda. Acredito que nós duas temos muito que aprender uma com a outra. 
Enquanto isso, aquele nosso momento – quando você vai dormir – em que eu te conto uma história cuja parte final tem o “soninho”(seu amigo que às vezes se atrasa um pouco porque pega trânsito) terá sempre o meu “obrigada” por você existir na minha vida. Hoje, antes de dormir, já no escuro, você cantou para mim: “amo você, você me ama, somos uma família feliz...”

Meu carinho é pra você.
Aí vai meu coração,
Mamãe.